Aqui vai-se falar da cultura em geral De música e literatura em particular

19
Set 09

 

Ao longo da vida deste blogue, só por uma vez, me vi na obrigação de falar de um livro sem referir o título tal a pobreza de conteúdos.

Desta vez vou falar de um outro que, embora contenha boa poesia, é um péssimo livro de poesia.

Se não estivesse inserido numa colecção de poesia mas sim na categoria de ensaio talvez a minha opinião fosse diferente.

Como disse, este livro contém boa poesia mas num universo de 260 páginas são bem escassas as 70 dedicadas a apresentar os 56 poemas.

Quem, como eu, frequenta as livrarias na procura de bons livros tem tendência a fidelizar-se com uma ou outra editora que por norma preza a qualidade do produto oferecido.

Aqueles que acompanham estas minhas sugestões estão bem cientes do meu encanto pela colecção de poesia da editora Relógio D'Água que considero uma das melhores e mais heterogénias.

No entanto, este livro que tenho aqui na minha frente, é uma pedra no sapato desta colecção. Mas a minha opinião vale o que vale e baseia-se em critérios meus que adiante passo a explicar.

 

Em primeiro lugar julgo necessário dizer que adquiri este livro depois de ver nas estantes das livrarias várias edições de diversas editoras. Este facto criou em mim uma tremenda curiosidade. Neste ponto entra em cena a minha fidelidade perante uma editora que me tem, ao longo dos anos, oferecido bons momentos de leitura. Perante distintas edições era de toda a justiça e lógica que eu adquirisse a versão de uma editora cujos produtos me tem agradado.

Para mim, e como disse anteriormente, existem alguns critérios que devem ser respeitados quando se cataloga um livro e este é um caso típico de um livro mal catalogado.

Sendo certo que encontramos poemas neste livro, não acho correcto chamar-lhe um livro de poesia quando apenas um quarto (1/4) é dedicado à apresentação de textos poéticos.

Por outro lado, e perante o mesmo argumento, não é admissível considerar esta obra como pertença de um autor quando a quase totalidade do livro é escrita por outro.

É perfeitamente natural e comum encontrarmos livros prefaciados ou pósfaciados, mas o autor destes textos introdutórios ou conclusivos nunca excede em número de páginas a obra do autor. Este não é o caso.

Podem comprovar o que digo se atentarem na forma como o livro está dividido:

Primeira parte - Introdução à obra poética - meia página(?)

Segunda parte - Resumo das edições ao longo dos anos - texto dedicado a arrasar por completo edições anteriores

Terceira parte - 56 poemas que compõem a obra - único ponto positivo deste livro de poesia (?)

Quarta parte - Notas e comentários a cada um dos poemas e apresentação de variantes (em prosa), dos mesmos, com utilização excessiva de sinal e abraviaturas - parte mais enfadonha do livro numas intermináveis 80 páginas

Quinta parte - Bibliografia e indices - até os poemas tem direito a um indice alfabético.

Perante tudo o que acabei de dizer sou obrigado a considerar que a forma como apresentam Clepsydra de Camilo Pessanha é um ensaio de Paulo Franchetti e não um livro de poesia.

Há livros assim!

publicado por manu às 10:02
tags:

É Manu...que coisa! Acho que seu adquirisse (ou até ganhasse) um livro desse, teria a nítida sensação de ter sido feito de palhaço! Coisas do editor? Vaidade do autor frenta a uma idéia genial, a seu ver? Sei lá... Talvez falta de se colocarem no lugar do leitor, do comprador, do presenteador...

Mas com certeza essa foi uma dica!

Abraço,

Rafael
Rafael Castellar das Neves a 30 de Setembro de 2009 às 15:54

Amigo Rafael! Depois de ter lido este livro fui conferir algumas edições de outras editoras e realmente todas elas são um pouco como esta. O poeta em questão nunca teve intenção de publicar a sua poesia, mas quando deixou Portugal e foi viver definitivamente para Macau, deixou os seus poemas sob a tutela de uma senhora que decidiu por sua própria vontade publicá-los. Até aqui nada de extraordinário. Só que o filho desta senhora herdou os direitos sobre os poemas e quando editou a segunda e a terceira edição apareceram algumas alterações na ordem dos poemas e houve mesmo alguns deles que ele alterou a nível da pontuação. Desde então (estamos a falar do início do século XX) tem havido muita controvérsia sobre a veracidade de cada uma das edições e a cada nova edição parece que se tem deixado de valorizar o que o poeta escreveu para dar mais atenção às opiniões de quem edita a obra. A qualidade dos poemas não se põe em causa, o problema é que em todas as edições os poemas têm sido deixados para segundo plano. Acho isto vergonhoso. Forte abraço.
manu a 1 de Outubro de 2009 às 01:42

Grande Manu!!

Entendi o contexto todo agora e só posso concluir que isso foi um verdadeiro "crime literário"..rsrs

Mais uma vez, obrigado pela aula!!!

Abração...

Aqui são 2 horas da manhã e só agora consegui vir responder aos comentários. Vou ficar com apenas cinco horas de sono mas estes assuntos relacionados com a literatura me deixam cheio de adrenalina. E eu gosto de partilhar opiniões. Abraço grande.
manu a 1 de Outubro de 2009 às 02:07

Setembro 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

14
16
17
18

20
21
22
23
24
25
26

28
29
30


links
Posts mais comentados
22 comentários
18 comentários
16 comentários
12 comentários
12 comentários
comentários recentes
Parabéns ao apresentador e à autora!Bjo!
otimos comentarios de Simon Scarrow,
Que surpresa!!!!Beijocas
E dia 22 lá estarei muito, muito orgulhosa :)Beijo
Meu querido amigo venho desejar um excelente 2011 ...
Gostei muito da apresentação que o Xavier fez do t...
Olá meu amigo como pode verificar não fica atrás a...
Olá Fátima! Com a saúde não se brinca, espero que ...
Meu amigo é com tristeza que venho pedir desculpa ...
Olá Manelita! E não precisas passar factura. Beijo...
mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO