Estando ainda em fase de recuperação desta maldita tendinite tenho encontrado mais tempo para pôr a leitura em dia e tenho hoje mais três sugestões, diferentes no género, mas que, coincidentemente, se complementam.
Vou começar pela poesia de Ruy Belo. A obra chama-se Todos os poemas e são três volumes com toda a poesia do poeta Ruy Belo Assírio & Alvim.
Se gostam de variedade criativa este é um poeta a não perder, a sua escrita chega a ser alucinante pois o autor não utiliza pontuação, o que dá a nós leitores a possibilidade de darmos a nossa própria entoação aos textos.
Ruy Belo dá-nos a conhecer os seus pensamentos num estilo muito próprio e em vários registos (Sonetos, poemas livres, prosa poetica, etc.) Para mim pessoalmente, o que mais me fascina neste poeta é a sua forma de utilizar, não as rimas convecionais, mas sim rimas silábicas, os textos são autênticos desafios literários.
A minha segunda sugestão é um livro de um poeta russo da primeira metade do século XIX, mas não se trata da sua poesia; é um género de novela romanceada.
O herói do nosso tempo - Mikhail Lérmontov - Relógio D'Água
Este livro divide-se em três partes;Na primeira o narrador ( que é um personagem) fala de alguém ( figura principal do livro) por intermédio de relatos de uma terceira pessoa.
Na segunda parte, o mesmo narrador ( que entretanto conhece o herói pessoalmente) faz uma discrição das suas impressões do herói.
A terceira parte deste livro é um relato de certos episódios da vida do personagem principal
contados na primeira pessoa e publicados pelo nosso narrador.
Ao contrário de muitos dos escritores russos do século XIX, Mikhail Lérmontov não se perde em conflitos interiores, o que torna a leitura deste livro muito agradável.
A minha última sugestão é um livro que muito provávelmente alguns de vocês já leram e que pertence a um dos grandes escritores do século XX, Milan Kundera - A vida não é aqui - Dom Quixote.
Este é um livro como eu gosto, com capítulos curtos que nos dão espaço para reflectir as ideias expostas sem perder o fio à meada. Quantas vezes ao ler um livro, não começamos a reflectir numa ideia desse livro e a continuação extensiva do mesmo vai-nos dividindo entre a reflecção e o acompanhamento da história ou narrativa?
Neste trabalho Kundera fala-nos da maternidade, da infância, da adolescência e dos conflitos geracionais na Checoslováquia pós guerra. Para quem gosta deste autor é um livro a não perder.
Vou acabar este texto com um frase de Ruy Belo que se aplica a todos nós que estamos constantemente em contacto via Internet
" SOMOS SERES OLHADOS"