Aqui vai-se falar da cultura em geral De música e literatura em particular

02
Mai 10

Ora aí está mais uma edição da Feira do livro de Lisboa. Montes de bancas com montes de livros, romances, policiais, ensaios, biografias, livros para crianças, livros de poesia, enfim, livros para todos os gostos. E esta minha fome, impulsivo-compulsiva, por livros fez-me aproveitar o dia agradável de ontem para ir em busca de mais umas aquisições para a minha biblioteca. Comprei 6 livros; dois na Assírio & Alvim e quatro na Relógio D'Água. E foi ao fazer estas compras que, uma vez mais me veio à cabeça a questão dos preços dos livros. Sei que já falei neste tema algumas vezes mas quer se queira quer não, não encontro justificação para os preços que se praticam nas livrarias e passo a dar um exemplo concreto.

Existe um livro que, por direito próprio e bom senso das pessoas, devia estar em todas as casas dos portugueses mas o preço a que é vendido nas livrarias impede que isso aconteça; falo do LIVRO DO DESASSOSSEGO de FERNANDO PESSOA. Há muito que tinha vontade de o adquirir mas os 30 euros pedidos sempre foram um obstáculo. Pois é, mas ontem comprei-o... por 18. Menos 12 euros, dito de outra forma, a 60% do preço habitual. Estes euros que poupei neste livro deu para comprar mais dois a 5 euros cada (cada um destes costuma ser vendido entre oito e doze), beber um café e dar uma esmola no metro. 

A pergunta que faço é sempre a mesma e de fácil resposta: Será que ao praticar estes preços na Feira do livro as editoras estão a perder dinheiro? Claro que não! Nenhuma delas está ali de borla. O espaço é pago, assim como o salário dos funcionários. Se com estes preços bem mais acessíveis eles conseguem ter margem de lucro porque será que inflacionam o valor dos livros durante o resto do ano? Convenhamos que 12 euros é uma margem gigantesca para a livraria. E atenção! O preço que estou a comparar é o praticado nas lojas Fnac onde, supostamente, os preços estão mais em conta. O valor do "Livro do desassossego" por exemplo nas lojas Bertrand é de 36 euros (o dobro do que paguei ontem).

Façamos o exercicio de outra forma. O que gastei versus o que teria gasto numa livraria Fnac.

Livro do desassossego - Fernando Pessoa 18 - 30

A educação do estóico  - Barão de Teive       5 - 12

Quinze poetas Aztecas - Antologia                5 - 10

Os que vão morrer       - Jaime Rocha            5 -  8

Lacrimatória                 - Jaime Rocha             7 - 12

Do extremínio               - Jaime Rocha             6 - 10

 

Gastei 46 euros de 82 que gastaria. Da minha carteira sairam apenas 56% do valor que pagaria no resto do ano pelos mesmos livros.

 

Numa época em que as dificuldades financeiras dos portugueses são imensas não é de estranhar que durante o ano as pessoas não comprem tantos livros como seria desejável. Nos dias de hoje já está um pouco fora de contexto dizer que os portugueses não têm hábitos de leitura. E a provar o que digo está o facto de autênticas multidões invadirem o espaço da feira e comprarem livros quase a quilo. As bancas estão sempre apinhadas de gente, os funcionários não têm mãos a medir e tudo isto foi por mim observado a meio da tarde de ontem quando o sol mais queimava.

Senhores das editoras e livrarias: Os portugueses gostam de ler, não têm é poder financeiro para pagar as barbaridades que vocês pedem durante o ano. É por essa razão que a cada ano que passa o balanço da feira é sempre positivo e em média cada visitante compra entre três a quatro livros.

Manu dixit

 

 

publicado por manu às 09:34
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manu

Belo texto! Muito adequado ao abandono literário. É de lamentar isto que dizes e mais muito mais, que não foi possível dizer.

Da amiga,

Maria Luísa
M.Luísa Adães a 2 de Maio de 2010 às 10:40

Olá Maria Luisa! Realmente este é um assunto com pano para mangas. E o Plano Nacional de Leitura não é suficiente para encobrir tantos tiros nos pés. Beijo.
manu a 2 de Maio de 2010 às 16:06

Pois é! Estranho não é? Parece que não dá muito jeito que as pessoas adquiram cultura. Olha eu recebo semanalmente informações por e-mail, das Sete (!) bibliotecas de Westminster com as novas obras adquiridas e alertas de disponibilidade sobre as obras em que me mostro interessado. Ainda avisam da proximidade dos prazos de devolução. O resultado é que vemos pessoas de todas as idades a ler por todo o lado. Nos transportes, nos jardins, nos Pub's e cafés. A devolução dos livros faz-se fazendo a obra passar sob um leitor de codigos de barras. A mesma máquina recolhe o livro. Tenho habitualmente tres ou quatro livros da biblioteca em casa.
Luis Mota a 29 de Maio de 2010 às 23:42

Caro Luis! E será só uma questão de organização institucional? Aqui até se guerreia para que os nossos escritores não vençam prémios literários internacionais. Como em tudo o resto, a sociedade portuguesa (principalmente os - auto intitulados - intelectuais) gostam de viver acoplados ao passado. Abraço.
manu a 30 de Maio de 2010 às 17:43

É definitivamente uma questão de educação e cultura na minha opinião A senhora que ganhou as eleições como presidente do "council" de Westminster andou em campanha pelas ruas. De braço dado com um dos "councillors" o Guthrie McKie que até veio a minha casa tomar um chá e conversar. A PÉ !!! Com mais um casal, em passeio. O Isaltino há uns meses atrás, para a inauguração de uma pré-primária em Carnaxide, chegou na frente de uma fila de BMW's (6) e com quatro guarda costas aperaltados á matrix stile. As prioridades instituicionais em Portugal estão de patas para o ar. E a cultura claro que leva por tabela. Vemos o imediatismo, oportunismo, o xico espertismo e o arrogante poder instituido a desfilar sobre a pobreza com um sorriso. Um miudo de 22 anos que não sabe sequer falar, faz as montras das livrarias porque dá uns chutos na bola. Do dia para a noite. Contrata alguem que escreva uns quantos factos sobre penalties e fintas e já está. Ainda lhe pagam fortunas só para passar por lá.O teu livro, o meu e os de tantas pessoas que têm mesmo que ter direito á palavra, são arrumados na terceira prateleira lá ao fundo e que se lixe.
As prioridades hoje em dia são mesmo salve-se quem puder. Com roubos descarados e tudo.
Luis a 30 de Maio de 2010 às 18:19

E agora até temos plagiadores descarados a concorrer às presidenciais, não bastava termos fugidos à justiça em cargos públicos. E depois queixam-se que o povo está a ficar desligado da politica... No fundo, trazer uns rock'n rio, um mundial de futebol ou um PGA tour sempre dá para amansar o pessoal, apesar de ser esse mesmo pessoal a ter de pagar as despesas daí inerentes.
manu a 30 de Maio de 2010 às 20:26

Será que conseguimos ficar bem, tendo apenas direito á indignação? Eu infelizmente nem sequer voto mas esse direito assiste-nos a todos. O Darwin dizia: Não são os mais fortes que sobrevivem, Nem os mais inteligentes. Mas sim os que melhor se adaptam às mudanças.
Temos que perguntar-lhe como
Luis Mota a 30 de Maio de 2010 às 21:02

Se calhar temos de fazer como os islandeses de Reikjavik que hoje elegeram o "Partido Humorístico" para liderar a autarquia. Eles só prometeram toalhas grátis. Parece piada mas acabei agora mesmo de ler essa noticia.
manu a 30 de Maio de 2010 às 21:44

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