Aqui vai-se falar da cultura em geral De música e literatura em particular

23
Nov 08

Foi com alguma surpresa que tomei conhecimento desta noticia. O modo triunfal e mediático como foi apresentado o projecto (inclusive com a presença da ministra da cultura na inauguração) fazia prever um outro futuro para a Byblos. Embora nunca tenha entrado na loja (pensava fazê-lo brevemente) fiquei ansioso por conhecer o espaço e o inovador sistema de identificação digital dos 150 mil títulos prometidos. O brutal investimento de 4 milhões de Euros também auguravam um outro desfecho. Afinal, a montanha pariu um rato.

 

Ao saber do encerramento da Byblos, pesquisei na internet e fiquei a saber alguns pormenores sobre o caso e que merecem reflexão.

1 - Desconhecia, em absoluto, que a inauguração do espaço foi adiada pelo menos duas vezes por indisponibilidade de agenda da ministra da cultura. Por mais consideração que a senhora ministra merecesse e por mais prestigio e mediatismo que a sua presença trouxesse, nunca seria um bom prenúncio adiar a inauguração por esse motivo. E se houvesse um impedimento mais grave por parte da ministra e esta tivesse de renunciar ao cargo? Esperariam pela nomeação de um novo ministro para inaugurar a loja?

2 - Os 4 milhões de Euros de investimento afinal não eram mais do que um "possível" investimento.

3 - Os pagamentos a fornecedores seriam feitos a 120 dias (4 meses), desde que se vendesse esse valor!!? Só seria pago o correspondente ao vendido!!? O "resto" seria devolvido perante uma nota de crédito, sem que o pagamento tivesse sido efectuado!!? Como não estudei economia ou contabilidade, todo este processo é para mim muito confuso e duvido que alguém o consiga compreender.

4 - Os 150 mil títulos prometidos nunca passaram de um número para inglês ver. Pelo que li, a loja tinha mais espaço por ocupar do que ocupado.

5 - O tão publicitado "sistema de identificação digital" foi um autêntico fracasso, um flop.

6 - O mau estar entre os colaboradores era enorme pela decisão administrativa de colocar uma empresa de segurança a "vasculhar" diariamente os seus pertences. Estamos a falar de uma livraria, de uma fábrica de transformação de diamantes ou de uma fábrica de pólvora e armamento?

7 - Já no ínicio do ano alguns funcionários da Byblos, antevendo este desfecho, bateram com a porta. Outros houve, que ainda pensaram que as coisas poderiam mudar e agora não vêem outra saída que não seja o desemprego.

 

Se a tudo isto acrescentarmos a péssima localização da loja ( longe vão os tempos em que os lisboetas - e não só - se deslocavam às Amoreiras, porque não existia o Colombo nem o Vasco da Gama para se ir ao cinema e fazer compras), temos quase todos os ingredientes para o insucesso do projecto.

 

Contudo, o que mais ressalta à vista é a tremenda incompetência da administração para gerir este tipo de negócio.

 

Para terminar, deixo no ar algumas perguntas e que responda quem souber:

 

Quem é o principal responsável pelo fechar de portas da Byblos?

 

A quem devem ser atribuídas as culpas desta catastrófica gestão?

 

Será que os trabalhadores da Byblos podem estar seguros que as suas obrigações fiscais foram salvaguardadas em sede de IRS e segurança social, pela entidade patronal?

 

Será que o estado não foi, também ele, lesado?

 

Serão os editores ressarcidos pelos produtos que, contratualmente, venderam à Byblos sem receberem por isso?

 

Será que o estado vai impedir que estes e outros administradores da nossa praça, continuem a prometer mundos e fundos para depois reclamarem a insolvência das empresas a seu bel prazer?

 

Eu, por minha parte, continuarei a frequentar as pequenas livrarias que existem e continuam a prestar um belo e simpático serviço a quem, como eu, gosta de livros.

 

publicado por manu às 22:07
sinto-me: ultrajado indignado

POis é... Só que isso fica/ficava em Lisboa. Abraços
filipe a 25 de Novembro de 2008 às 22:13

É verdade amigo Filipe! Nós os que, mesmo não sendo de Lisboa (como eu),vivemos perto e por isso temos um acesso mais facilitado a praticamente tudo, esquecemos muitas vezes (para não dizer quase sempre) que há neste país quem não tenha tanta facilidade em aceder a certos e determinados "serviços". É quase caso para se dizer que falamos de barriga cheia. Podes ter a certeza que não é uma atitude premeditada ou consciente, bem pelo contrário. Para quem vive na periferia desta nossa capital a única e mais relevante preocupação é entrar na cidade e ter de conviver diariamente com o trânsito caótico. Este teu reparo não deixa de ser relevante e a propósito dele vou postar amanhã um pequeno poema no amadordoverso . Obrigado pelo teu importante comentário. Um abraço.
manu a 26 de Novembro de 2008 às 22:09

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