Aqui vai-se falar da cultura em geral De música e literatura em particular

03
Mai 09

Tal como prometi, aqui está um post que mais não é que uma dissertação sobre a opinião de certa critica literária em relação aos livros de José Rodrigues dos Santos.

Antes de mais, quero que fique bem claro que este post é acima de tudo uma opinião pessoal sobre a forma como os criticos em Portugal etiquetam os autores.

Este post poderia muito bem ter surgido em defesa de outros autores e, para além disso, José Rodrigues dos Santos é um menino bem crescido e não precisa que eu aqui o venha defender, nem esse é o meu papel.

Enfim... adiante.

 

Quase todos nós já lemos opiniões escritas sobre livros, feitas pelos (considerados) experts da matéria, os criticos literários. Uns senhores que supostamente passam oito horas diárias a ler livros e depois nos dizem se vale ou não a pena comprá-los.

Mesmo não conhecendo o meio, arrisco dizer que, como em todas as profissões, também aqui se encontram bons e maus profissionais. No entanto, creio que entre os criticos literários poucos são os que nos merecem credibilidade. De que outra forma se explicam comentários do género:

 

"José Rodrigues dos Santos descreve cenas de teor sexual de pacotilha"

"São mais de 500 páginas de literatura de supermercado"

"Só o mediatismo explica o volume de vendas"

 

Eu pergunto:

 

Onde está a critica ao trabalho literário?

 

O que são cenas de teor sexual de pacotilha?

 

Qual o livro do jornalista que promove pacotes de arroz e máquinas de lavar?

 

Será que foi imaginação minha ter visto os livros dos aclamados Dan Brown, Saramago, Lobo Antunes, Lídia Jorge, etc. nas superficies comerciais?

Meus amigos, isto não é critica literária séria!

 

Quanto a mim, um critico deve ser alguém que procura definir o estilo do autor, encontrar influências literárias e questionar a criatividade, as personagens, os enredos, etc. Tal como fizeram em relação aos livros de outra figura pública mediática chamada Rodrigo Guedes de Carvalho. Neste caso, atribuiram-lhe valor literário pelo seu estilo muito próprio, pela complexidade das personagens e pela criatividade dos enredos. Encontraram-lhe marcas de influência de Lobo Antunes ( ele sempre o afirmou) e os seus livros também os encontramos nos supermercados.

 

Eu gostaria que um dia, um desses criticos de pacotilha me explicasse qual a diferença entre Codex 632 ou O sétimo selo e o Código Da Vinci ou A Conspiração de Dan Brown. Qual a diferença entre A vida num sopro ou A filha do capitão e Por quem os sinos dobram de Ernest Hemingway. Talvez seja a mesma diferença que separa Luis Vaz de Camões de William Shakespeare; um é português e o outro não.

 

Ao ler certas opiniões fico com a nítida sensação que os criticos apenas se limitam a ler o primeiro e o último capítulo dos livros e auxiliam-se das sinopses criadas pelas editoras para fazer o seu trabalho.

Dou os meus parabéns à editora Gradiva por, apesar dos criticos, saber promover os seus produtos e autores. Afinal de contas, quer se goste ou não, os livros também são um negócio e vivemos na era da globalidade.

Por último quero dizer o seguinte: José Rodrigues dos Santos pode nunca vir a ser equiparado a  Saramago,Lobo Antunes, pode não vir a ter uma obra reconhecida como Eça,Camilo Castelo Branco ou Antero de Quental, mas é indiscutívelmente um dos rostos da nova geração de escritores portugueses de qualidade, onde se podem incluir, entre outros, Rodrigo Guedes de Carvalho, Luis Peixoto e Luis Miguel Rocha

 

Onde estão os seguidores de Eduardo Lourenço?

Pedro Mexia admiro o seu trabalho

 

EMANUEL LOMELINO DIXIT

 

 

 

 

publicado por manu às 09:27

Manu

Eu tenho uma opinião muito parecida à tua em relação à critica e falo de um modo geral, quer a critica literária, televisiva, cinematográfica, etc. Não nos merecem muita credibilidade porque eles não têm que se substituir ao leitor/espectador emitindo opiniões pessoais, mas sim fazer aquilo que tu referes e bem que é a análise "técnica" de uma obra. O valor das obras não se mede pelo modo como são difundidas ao receptor, dando como exemplo o caso dos livros nas grandes superficies comerciais, as editoras fazem o que podem para promoção dos seus livros e se é nos supermercados que eles se vendem mais, pois é aí que eles devem estar. Para mim os críticos defendem grandes jogos de interesses, e não é raro ver um autor ou um filme dotados ao esquecimento, só porque não foram bem aceites pela crítica, por isso eu, prefiro procurar e comprar o que na realidade me interessa, ignorando completamente as opiniões dos senhores profissionais da "coisa", embora, confesso, gosto de os ler e ouvir e muitas das vezes...rir!

Beijo maior
Utopia das Palavras a 5 de Maio de 2009 às 23:40

Olá Ausenda! São muito poucos os criticos que fazem um trabalho sério e imparcial. A maioria não passa de escritores frustrados e não têm pejo em colocar toda essa frustração nas criticas que fazem. É por essa razão que eu pergunto pelos seguidores de Eduardo Lourenço, um homem que dedicou a maior parte do seu tempo a estudar a fundo a poesia de Fernando Pessoa e a dar opiniões que, para além de criticas, ajudam a compreender melhor a poesia pessoana. Dos criticos que conheço, apenas o Pedro Mexia me merece alguma atenção pois, até hoje, foi o único critico literário que mesmo fazendo uma critica negativa teve a ombridade de, em vez de queimar o autor com adjectivações a despropósito, explicar que essa opinião era baseada no seu gosto pessoal e que era de todo legitimo que esse trabalho literário tivesse boa aceitação junto dos leitores apreciadores do género.
À conta dos criticos ainda estou a tentar perceber o que é uma " cena de teor sexual de pacotilha". Estes iluminados.... Beijo grande.
manu a 6 de Maio de 2009 às 17:54

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