Aqui vai-se falar da cultura em geral De música e literatura em particular

17
Mai 09

Hoje decidi fazer um post diferente do habitual. Em vez de falar de um livro vou falar apenas de um poema de um livro.

Antes mesmo de transcrever esse poema gostaria de dizer a todos os que gostam de poesia que existem dois blogs http://euli.blogs.sapo.pt/ e http://cateespero.blogs.sapo.pt/ do amigo António Silva, que nos oferecem poesia de vários poetas de épocas distintas. São dois blogs que acompanho com regularidade e que aconselho vivamente que adicionem aos vossos contactos. Para além disso, estes blogs do amigo António Silva são, aquilo que considero, um verdadeiro serviço público. Obrigado António pela generosidade de nos oferecer esses pequenos pedaços da nossa história cultural.

Apenas fiz esta pequena introdução porque não é de todo minha intenção fazer um trabalho de divulgação como se faz nesses blogs. Este é um post excepcional que não pretende ser regra.

Quem me costuma visitar aqui sabe que sou um devorador de livros e que imponho a mim próprio a leitura diária de pelo menos um capítulo ou de, no caso da poesia, quatro ou cinco páginas. Esta disciplina que me acompanha há muitos anos tem feito com que nunca perca o interesse pela leitura e leia sempre até ao fim cada um dos livros que me vêm parar às mãos, mesmo quando são desinteressantes.

Feito todo este monólogo chato mas baseando-me nele, é por esta disciplina que me imponho, que hoje ao acordar peguei no livro de poesia que tenho estado a ler e me deparei com este poema. Identifiquei-me de tal forma com ele que decidi partilhá-lo convosco.

 

 

Inventário

 

 

E, apesar de tudo, sou ainda o Homem,

Um bícepe com fala e sentimentos!

Ao cabo de misérias e tormentos,

Continua

A ser a minha imagem que flutua

Na podridão dos charcos luarentos!

 

Sou eu ainda a grande maravilha

que se mostra no mundo!

O negro abismo que tem lá no fundo

Um regato a correr:

Uma risca de céu e de frescura

Que murmura

A ver se alguma boca a quer beber.

 

Quando o grave silêncio da paisagem

Me renega e protesta,

Pouco importa na festa

deste encontro feliz;

Obra de Arcanjo ou de Santanás,

Eu é que fui capaz

De fazer o que fiz!

 

Podia ser melhor o meu destino:

Ter o sol mais aberto em cada mão...

Mas, Adão,

Dei o que a argila deu.

E, corpo e alma da degradação,

O milagre é que o Homem não morreu!

 

Não! Não me queiram na cova que não tenho,

Porque eu vivo, e respiro, e acredito!

Sou eu que canto ainda e que palpito

No meu canto!

Sou eu que na pureza do meu grito

Me levanto!

 

MIGUEL TORGA - poesia completa vol.1

Publicações Dom Quixote

2007

 

 

publicado por manu às 09:04
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Amigo Emanuel,

Fez muito bem em divulgar os 2 blogs. Eu já os adicionei como "Amigo", assim posso ler cada novo post.

Obrigado

Abraço
Alex
inoutyou a 17 de Maio de 2009 às 17:46

Amigo Alex! Garanto-lhe que vale bem a pena ler as poesias que o amigo António nos oferece. É uma mais valia na blogosfera. Abraço.
manu a 17 de Maio de 2009 às 18:30

Boa escolha...

Breizh da Viken a 18 de Maio de 2009 às 20:54

Olá Breizh! É a minha cara. Beijos
manu a 18 de Maio de 2009 às 21:09

Olá Manu

Como eu adoro a poesia de Torga! Quem não gosta?!
É bela, e duma força tamanha, que se lê e relê e se encontra sempre algo maravilhoso.
E sabe há outra poesia, dum outro poeta que eu conheço tão bem, na qual eu reconheço a mesma força e tenho sempre a vontade de a ler.Não adivinha?!

Do Torga lhe encontro o jeito
O mesmo grito,a mesma luz potente
A mesma força que vem do peito
O mesmo amor, uma luta consciente.

Um beijo amigo



rosafogo a 20 de Maio de 2009 às 21:07

Olá rosafogo! A minha querida amiga está a ver se consegue rebentar o balão cheio em que se transformou o meu ego? Devo confessar que conhecia muito pouco do Torga como poeta. Durante muitos anos associei o nome deste poeta, que estou a descobrir abismado, aos contos, nomeadamente, o livro "Bichos". Ainda possuo um exemplar da 15ª edição (1985) por ter sido o meu primeiro livro, ou dito de outra forma, foi este o livro que deu início à minha "biblioteca", que hoje conta mais de 600 titulos. Em relação ao Torga tenho de dizer-lhe que hoje postei sete poemas no amadordoverso, a maioria sob influência directa da bela poesia que tenho estado a ler. São tantos os poemas que entretanto li e com os quais me identifico tanto... Estou, de facto, satisfatóriamente encantado com a poesia de Torga.

Estou a descobrir quem de mim se escondeu
e abismado vou ficando com esta bela poesia
até parece que o poeta Torga me conheceu
não sou como ele, falta-me a sua mestria

Obrigado pelas suas constantes demonstrações de carinho e motivação. Beijo agradecido
manu a 20 de Maio de 2009 às 21:36

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