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22
Jan 13

APRESENTAÇÃO DO LIVRO "ENCONTRO-ME NAS PALAVRAS" DE MARIA ANTONIETA OLIVEIRA

Normalmente e por experiência acumulada, quando me convidam para fazer a apresentação de um livro, tenho o hábito de, ao ler a obra, tentar encontrar os pontos de contacto entre o autor e a pessoa que lhe empresta o corpo.

E faço-o porque aqueles que escrevem raramente conseguem evitar que os seus textos sejam uma extensão de si próprios e como, em regra geral, conheço a pessoa por trás do autor, torna-se mais fácil para mim fazer uma análise global da obra, entender os discursos e o alcance das suas palavras.

Portanto, não é de estranhar que tenha procurado neste ENCONTRO-ME NAS PALAVRAS um pouco da Maria Antonieta, que conheço para lá da poesia.

No entanto, e apesar de ter detectado os pontos convergentes, fui confrontado com alguns aspectos que me obrigaram a um esforço extra de pesquisa, não só nesta obra, mas também no anterior trabalho da poetisa.

Se no seu livro de estreia, GALERIA DE AFECTOS, a autora nos presenteou com textos que escreveu ao longo da vida, isto é, seleccionou alguns poemas dos muitos que foi escrevendo quando ainda nem sonhava editar; neste novo trabalho já nos apresenta uma linha poética mais pensada sendo evidente o cuidado que emprestou na criação de cada um dos poemas que compõem este ENCONTRO-ME NAS PALAVRAS.

Numa primeira análise, o meu comentário anterior, onde faço a comparação entre os dois livros, pode indiciar uma mudança radical na forma de escrever da autora. Nada mais errado.

Desenganem-se aqueles que pensam poder vir encontrar neste novo livro grandes alterações estilísticas, temáticas ou uma transformação substancial na poética da Maria Antonieta. 

Como muito bem refere a prefaciadora desta obra, estamos na presença de uma poetisa que apesar de ser multifacetada vai demonstrar sempre um grande espírito de entrega em cada uma das suas criações e nunca se sentirá satisfeita com o resultado final de cada poema.

Talvez por isso não seja de estranhar o facto de alguns temas abordados no primeiro livro ganharem uma nova dimensão e tratamento, quiçá uma outra roupagem, neste mais recente trabalho.

Dou-vos como exemplo do que digo o poema “Em tudo te encontro” que, na minha modesta forma de ver, nada mais é do que a continuidade, ou até mesmo, o melhoramento do poema “Querer”, que aparece no primeiro livro.

Ao fazer a comparação entre estes dois poemas podemos verificar a existência da insatisfação atrás mencionada e a tentativa de aproximar o resultado final da perfeição.

Quanto a mim, este acto de reescrever ou criar novas versões dos poemas é um sinal claro e evidente da evolução da autora e revela o grau de consciência e maturidade que o tempo lhe outorgou.

Através destes dois poemas, mas não só, também é possível confirmar a ligação quase umbilical da autora às temáticas associadas aos sentimentos humanos e à natureza.

Aliás, uma das principais características da poesia da Maria Antonieta é precisamente a utilização de elementos da natureza para exprimir sentimentos.

Por outro lado, mas de forma mais vincada neste ENCONTRO-ME NAS PALAVRAS, esses elementos da natureza são acessórios fundamentais na demonstração de sentir poético chegando por vezes a aparecer em substituição dos próprios sentimentos.

Encontramos com alguma frequência o elemento àgua associado à vida e ao amor e o deserto como indicador de distância e saudade.

Baseando-nos neste aspecto da escrita da Maria Antonieta, poder-se-á dizer que estamos perante uma poesia com enorme carga imagética.

Tal como diz Natália Canais Nuno no prefácio deste livro, Maria Antonieta é uma poetisa que tanto nos dá poemas de exortação à vida como nos presenteia com textos sofridos e até mesmo dolorosos.

Aqui chegados, convém dizer que esta dualidade temática é outra das marcas características da poesia da Maria Antonieta.

Num momento é-nos dado um poema exultante, alegre e apaixonado para no instante seguinte nos depararmos com um poema chorado, triste e magoado.

Atrevo-me mesmo a dizer que a poetisa, no seu exercício de escrita, tenta dar-nos as duas faces da mesma moeda não se refugiando apenas num dos lados da vida, tomando partido em detrimento do outro, e deste modo dá a cada um dos seus poemas um cunho de humanidade.

Bem vistas as coisas, todos nós vivemos momentos bons e maus, rejubilamos com os encontros e sofremos com as partidas, rimos das alegrias e choramos das tristezas, enfim, somos humanos e vivemos de opostos.

Posto isto, e sem correr o risco de cair em frases feitas circunstanciais, que a minha amizade com a autora poderia proporcionar, posso dizer que estamos na presença de uma poetisa com elevado sentido poético, ciente dos passos que quer dar na contrução da sua obra e com perfeita noção que por mais poemas que escreva existe sempre a possibilidade de melhorar e crescer.

Para finalizar, quero agradecer à editora Temas Originais por permitir que nós leitores possamos continuar a usufruir das palavras desta autora.

Os meus parabéns à poetisa Natália Canais Nuno, pelo belíssimo e assertivo prefácio com que nos brinda.

Agradeço também à autora o convite que me fez para estar aqui a apresentar este livro e a confiança que depositou em mim para esta tarefa.

Por fim, os meus parabéns à amiga Maria Antonieta pelo nascimento de mais este “filho” e o desejo que continue a partilhar connosco através das “galerias de afectos” os seus “sentires vividos e sonhados” e juntos possamos sempre “encontrar-nos nas palavras”.

Lisboa, 24 de Março, 2012

    

 


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