Aqui vai-se falar da cultura em geral De música e literatura em particular

14
Out 11

A todos os amigos e amigas deste blogue:

Ao fim de, praticamente, um ano de muita dedicação e trabalho eis a hora de trazer a público a razão maior da minha ausência dos blogues.

 

 

O autor EMANUEL LOMELINO e a editora LUA DE MARFIM, têm o grato prazer de os convidar para a sessão de lançamento do livro LICENÇA POÉTICA [duetos lomelinos].

O evento terá lugar no próximo dia 22 de Outubro, às 19 horas, no Auditório do Campo Grande, 56, em Lisboa.

Obra e autor serão apresentados por José Luís Outono

Este evento contará com a actuação da banda Smente.

 

 

 

 


12
Dez 10

 

Muito boa tarde. Antes de mais, devo agradecer a vossa presença neste fim de tarde de sábado.

 

Seguindo a lição utilizada no seu primeiro livro, o poema iniciador da obra titula-a, isto é: ao "Amador do Verso", onde se lê, e cito:

 

a poesia não traio, sempre lhe fui fiel

palavra de aprendiz de poeta

 

curiosa esta referência, aprendiz de poeta, adiante,

 

sucede este "Aprendiz de Poeta" que, considero, embora saiba que a minha palavra será sempre suspeita, porque também sou o editor, um pulo bem acentuado no que o Emanuel Lomelino faz chegar ao leitor sob a forma do livro.

 

São dois, bem sei, mas é, na minha opinião, algo a considerar.

 

Digo-o porque, no seu primeiro livro, notava-se já a verdadeira semente de toda a escritura, isto é; a leitura; mas, também, já era notória uma demanda de um registro próprio.

 

Existia o amador, o que ama a coisa, mas desta não se afastava o suficiente para colher a essência da sua própria respiração. O acto amatório muitas vezes provoca uma proximidade que, quase diria, sufoca, mesmo que essa sensação seja agradável.

 

No entanto, nesta sua nova obra, "Aprendiz de Poeta", há uma novidade, um registro, de facto, próprio, autêntico, verdadeiro, porque do próprio autor, que sabe, porque desta toma, não sensível, mas conscientemente, que é a leitura a geradora da obra a ser.

 

Desta forma, não será de admirar que continue a escutar, como mero exemplo, António Cândido Franco, sobretudo o de "Moradas", ou de uma forma mais abrangente, Ruy Belo pela forma coloquial que amiúde contamina o seu fazer poético.

 

Mas não encontro aqui o que afirma o próprio poeta, e cito: "poeta imaturo"; a não ser que este imaturo signifique, e aí concordo, como aquele que sempre encontra na coisa o catalisador do próprio espanto e, por isso, se sente sempre perante a novidade, e, assim, matura constantemente essa mesma coisa com o intuito de obter desta a maior valoração possível.

 

Aí ambos, melhor, todos os que escrevem estão, como se soía dizer, no mesmo barco, navegando, tal como afirma Emanuel Lomelino, "um rio/ (...) agarrado às suas crinas", imagem esta de força vital porque nos traz uma espécie de serena liberdade.

 

Um detalhe relevante, que já era também vislumbrável na sua primeira obra, é, tal como indiciam os ecos poéticos acima referidos, sobretudo Ruy Belo, o alongar do verso, quase sempre superior ao decassilabo.

 

Neste "Aprendiz de Poeta" há a aproximação ao apuro técnico de construção deste género de mesura vérsica, onde a censura se encontra cada vez mais no local devido, ou não fosse aprendiz, aquele que inicia o processo de recolha e interiorização dos rudimentos do seu ofício, no âmago do que escreve, melhor do que diz.

 

Trata-se portanto, na minha opinião, já não só da tal procura de registro pessoal, que antes referi, mas de uma demanda para que esse mesmo registro seja cada vez mais construído de forma a que chegue ao outro com uma maior eficácia ou, como refere o poeta, que nisto o poeta é que sabe, e pode clarificar, e cito:

 

Escrevo por não poder falar

Todas as palavras que quero

 

isto é, tendo consciência de que o acto poético é essencialmente fala, voz, e sobretudo canto, assume-se aqui como o tal aprendiz.

 

É, sem dúvida, um título que assenta, tal como refere o povo, como uma luva.

 

Numa abordagem ligeira a esta obra, muito provavelmente, dir-se-á: essencialmente lírica. Se é um facto que o Eu está, quase direi, omnipresente, também é verdade que esse Eu, por vezes, muitas vezes, se vê, como se se projectasse no mundo e representasse um outro papel, ou, mais concretamente, um papel outro, um papel produzido pela imaginação, ou seja, transfigurando o Eu lírico num Tu dramático, que leva o poeta a dizer, e cito:

 

Por vezes nem eu me reconheço

 

(...)

 

Afasto-me do mundo conhecido

 

Mas a questão fulcral é a seguinte: que papel procura desempenhar o aprendiz, por que demanda entre palavras fundadas no Eu, mas que é no Eu Outro que se revela em cada verso?

 

Bom, para que não seja suspeito, citarei Vitorino Nemésio quando este escreve, e cito:

 

Como em toda a actividade, é difícil surpreender exactamente o grau de expressão em que a categoria do poético desfalece ou está ausente sem que desapareçam os requisitos formais da arte poética em acção. Sobre o que define o poético, frente ao metafísico, estamos todavia mais seguros. Se o pensamento filosófico apreende a realidade na relação do juízo, o que se pode chamar de pensamento poético indica-a ou mostra-a pela mediação de uma realidade segunda, substitutiva ou simbólica, que a razão não traduz absolutamente nos seus termos, mas que verbalmente é dada com a plenitude da intuição.

 

Fim de citação.

 

É neste plano que leio esta obra e, sobretudo, o futuro da obra do Emanuel Lomelino. Ou não fosse, e cito o poeta:

 

A poesia

 

(...)

 

A minha tábua de salvação

 

E que outra salvação há senão a da reconstrução do nosso próprio mundo, desta feita reconstruída pela via, tal como alúde Nemésio, segunda, substitutiva ou simbólica, tal como considero ser regida a escrita de Emanuel Lomelino, antes, agora e sempre, amador do verso, e aprendiz, porque peregrino pelos caminhos da palavra, da poesia.

 

Gostei de te reler.

 

Obrigado a todos, e votos de boa leitura.

 


08
Dez 10

Para quem puder e quiser aparecer aqui ficam os convites para uma grande tarde de poesia:

 

 

O autor EMANUEL LOMELINO e a Temas Originais têm o prazer de o(a) convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro de poesia APRENDIZ DE POETA, a ter lugar no Auditório do Campo Grande, 56, em Lisboa, no próximo Sábado dia 11 de Dezembro, pelas 16 horas.

 

Obra e autor serão apresentados pelo poeta XAVIER ZARCO

 

 

E também a não perder, logo a seguir:

 

A autora MANUELA FONSECA e a Temas Originais têm o prazer de o(a) convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro POESIA SEM REMETENTE, a ter lugar no Auditório do Campo Grande, 56, em Lisboa, no próximo Sábado dia 11 de Dezembro, pelas 19.00

 

Obra e autora serão apresentados pelo poeta ANTÓNIO MR MARTINS 


26
Nov 10

De um modo geral, retirando os prémios que pontualmente são atribuídos, um autor só ganha o devido reconhecimento, pela obra feita, após a sua morte. E mesmo assim, contam-se pelos dedos de uma mão (perdoem-me o provável exagero) aqueles cujo percurso criativo recebe as homenagens a que tem direito sem que exista um aproveitamento politico e/ou económico. Veja-se o caso recente com o desaparecimento do universal José Saramago.

Nesta matéria de homenagens tenho de referir também que é muito triste, socialmente falando, a existência de alguns circuitos que são vedados à maioria dos autores e onde só se entra pelo mérito das influências. São autênticos grupos formados cujos membros se homenageiam entre si como se a genialidade criativa e intelectual se cingisse a meia dúzia de Aladinos das letras e todos os outros fossem luas sem expressão a gravitar em seu redor.

Puxando um pouco a brasa à minha sardinha: servem os parágrafos anteriores, e outros que me excuso de escrever, para justificar as minhas acções a nível de divulgação de poetas no blogue TOCA A ESCREVER e as iniciativas literárias e culturais que faço neste espaço. Sendo certo que o alcance das minhas palavras e acções é ínfimo, não deixa de ser verdadeiro que o faço sem qualquer género de critérios sectários ou estilísticos e que, dentro das minhas possibilidades e capacidades, tento dar "voz" ao maior número de autores que me é humanamente possível e a logística me permite.

Nesta linha de raciocínio, não podia deixar passar a oportunidade para prestar, não a homenagem merecida (essa ser-lhe-á feita por pessoas mais capacitadas que eu) mas apenas a minha admiração pública por um autor que aos poucos vai construindo uma obra, fazendo-se valer, para além da inegável qualidade criativa, de uma obstinação e crença positivas que, certamente, o levaram a patamares bem superiores aos que actualmente pisa. O caminho não será fácil, bem pelo contrário, serão muitos os obstáculos e entraves que vai encontrar para não falar das ferozes correntes que lhe tentaram minar os intentos.

Independente do alcance e valor que as minhas palavras e acções possam ter, quero deixar aqui expressa a minha total e incondicional disponibilidade para, através dos meus espaços cibernáuticos, ajudar na divulgação e promoção de um autor que tem objectivos muito concretos e definidos nesta sua, cada vez mais, exigente tarefa de chegar a um maior número de leitores. Afinal de contas, sendo bem sucedido como é desejado, todo esse trabalho trará benefícios para os demais autores.

Sem mais delongas passo a apresentar o autor:

LUIS FERREIRA nasceu no Barreiro a 8 de Maio de 1970 e vive actualmente em Alcochete.

Publica em vários sitios ligados à escrita e às artes. Participou em diversas antologias e publicações de poesia e acaba de lançar o seu quarto livro.

É autor das seguintes obras, a saber:

2007 - MAR DE SONHOS  - CORPOS EDITORA

2008 - RIO DE SAL - EDIUM EDITORES

2009 - MOMENTOS - TEMAS ORIGINAIS

2010 - ROSAS & ESPINHOS - TEMAS ORIGINAIS

 

O autor define-se como um poeta eclético mas com uma tendência natural para os poemas de amor. «Em cada dez poemas, oito são de amor».

Na sessão de lançamento do seu mais recente trabalho ROSAS & ESPINHOS, que decorreu na Biblioteca Municipal de Alcochete, Luis Ferreira revelou-se determinado a levar a sua poesia a mais altos voos, nomeadamente a mais leitores e tudo o que daí possa advir.

 

Quem pretender conhecer melhor o autor e as suas actividades pode acompanhá-lo através do seu blogue aqui

 

Esta casa deseja as maiores felicidades e todo o sucesso ao autor, deixando as portas abertas para ajudar nessa sua demanda.

 

MANU DIXIT

 

 

 


14
Nov 10

 

Olá amizades!

É com redobrada satisfação que venho aqui, uma vez mais, fazer referência ao lançamento de um livro cuja autora é amiga deste blogue.

Sem mais delongas passo a informar que no próximo dia 4 de Dezembro, pelas 16.30, a autora Maria Fátima Soares terá o prazer de contar com a vossa presença na PAPELARIA NETO & TEIXEIRA, sita na Av. 25 de Abril nº 300 (rotunda da Cruz de Pau) para apresentar o seu novo livro, da Colecção REDENÇÃO, PENA OU DESTINO.

 

Para quem não puder aparecer mas deseje obter este livro pode encontrar todas as informações necessárias neste link. Aproveitem e vejam também como podem adquirir o pack promocional da restante colecção (dois ao preço de um e com direito a brinde).

 

E como a nossa amiga Fátima não pára quieta por nada deste mundo, podem verificar neste link a iniciativa de Natal e contribuir para o Refúgio ABOIM ASCENSÃO.

 

Boas leituras


02
Out 10

A escritora Fátima Soares, uma amiga deste blogue e grande entusiasta deste género de iniciativas disponibilizou-se, desde a primeira hora, a colaborar nos passatempos que pretendo fazer regularmente neste espaço.

Desta vez, a sua participação é mais directa pois temos um exemplar do seu primeiro livro ASCENÇÃO E QUEDA (romance de ficção) para oferecer.

Este livro é o primeiro de uma tetralogia que já tem dois volumes lançados, prevendo-se a edição do terceiro até ao fim deste ano.

 

SINOPSE

«Andreia é uma jovem como tantas outras, cujo quotidiano é invadido pelo sobrenatural e o mais improvável dos acontecimentos. Ela e o seu amigo Ema vêem-se envolvidos numa roda de aventuras perigosíssimas, onde sentimentos controversos os invadem e os deixam tão confusos que ambos têm dificuldade em geri-los. A jovem indefesa e insegura adquire coragem e luta, chegando a abdicar da própria vida pela de um amor que está condenado desde início. Poderá ela triunfar?»

 

Regras deste passatempo

1 - Escrever um pequeno texto (máximo 3 parágrafos) no espaço de comentários deste blogue, dando continuidade a um excerto do livro que adiante apresentarei.

 

2 - Responder à pergunta que colocarei adiante e enviar a resposta para o seguinte endereço de mail manulomelino.mail@sapo.pt

 

3 - As respostas devem ser enviadas até às 23.59 de sexta-feira dia 8 de Outubro

 

4 - Só será permitida uma participação por pessoa

4.1 - Em caso de múltipla participação será considerada válida a primeira

 

5 - O(A) vencedor(a) do passatempo será notificado(a) através de mail e nessa altura deve facultar um endereço para o envio do livro

5.1 - Se não houver resposta em tempo útil(24h), o livro será entregue ao 2º e assim sucessivamente.

 

Recordo que estes passatempos se destinam, por enquanto, somente a residentes em território português

 

Dêem continuidade:

 

"... As batidas no peito aumentavam-me e a respiração custava a sair-me da garganta. Alguém na minha cabeça entoava um grito querendo ver se quebrava um cristal da Boémia. Ele não ía precisar de me matar, eu era perfeitamente capaz de fazê-lo a mim própria.

Dobrei a cabeça até aos joelhos e tentei fazer com que o sangue, que me fugira para os pés, se elevasse de novo até ao meu cérebro.

Já mais calma, sentei-me no alcatrão. Tinhamos caminhado um pouco enquanto falávamos. Eu caminhara e obrigara-a a acompanhar-me. Não corria o risco de estar muito tempo com ela a fixar-me o olhar. Agora reparava que estava no campo de jogos.

Já devia toda a gente ter-se ido embora. Escurecia. A esta hora Emanuel devia interrogar-se onde raio eu me metera..."

 

 

Pergunta:

 

Quais os nomes dos volumes já editados nesta tetralogia? 

 

Mãos à obra


28
Set 10

 

 

 

O Autor, ANTÓNIO BOAVIDA PINHEIRO, e a Temas Originais têm o prazer de convidar a estar presente na sessão de lançamento do livro "POEMAS AO CORRER DA PENA..." a ter lugar no Auditório do Campo Grande, 56, em Lisboa, no próximo Sábado, dia 2 de Outubro, pelas 19.00

Obra e autor serão apresentados pelo poeta Xavier Zarco

 

A entrada é livre.

Se puder apareça.

 

 

 

Normalmente não tenho o hábito de me alongar em considerações quando deixo aqui informações sobre lançamentos de livros mas desta vez vejo-me na obrigação de fazer uma recomendação especial a este evento. Para além de ser o novo livro de um grande poeta, este evento vai contar com a presença de alguns dos melhores declamadores de poesia, autor incluído. Prevê-se um fim de tarde em grande, cheio de muita e boa poesia. A não perder.

 


11
Jul 10

Durante muitos e fartos anos os eventos culturais eram quase inexistentes no nosso país. Quem quisesse assistir a um concerto musical tinha de contentar-se com bandas portuguesas ou festivais de folclore, exposições de pintura e escultura dificilmente aconteciam, as peças de teatro raramente podiam ser vistas fora de Lisboa e Porto, enfim, culturalmente estávamos pouco acima da nulidade. Mas os tempos mudaram e hoje em dia a oferta é tão vasta que chega a tocar o exagero e muitas vezes me questiono se existe mercado para tantos concertos, festivais, exposições, etc. Seja como for, com exageros ou não, é satisfatório saber que qualquer um de nós tem à sua disposição uma vasta gama de eventos, nas mais variadas áreas e que o acesso à cultura é uma realidade bem publicitada, seja nos orgãos de comunicação tradicionais, em outdoors colocados ao longo das estradas, em publicidade de patrocinadores e mais recentemente na Internet, através de mail ou nas redes sociais. Com tanta forma de divulgação é quase impossível não sabermos as datas e horas dos eventos que nos interessam. Serve esta minha introdução para afirmar que nos dias de hoje só não frequenta eventos culturais quem não quer.

Sendo certo que existem eventos com mais exposição mediática e maior afluência que outros, não deixa de ser verdade que, seja qual for o evento, todos merecem o respeito do público alvo. É evidente que um concerto rock tem um público diferente de uma peça de teatro e bem distinto do público de uma exposição de pintura ou de uma apresentação literária. Daí existirem diferentes formas de publicitar cada evento, sempre de acordo com o público alvo e considerando as perpectivas de afluência. É perfeitamente natural que para publicitar um concerto musical vejamos inúmeros cartazes espalhados pelas ruas e que para publicitar a apresentação de um livro se dê mais importância aos meios audio-visuais e à Internet. Ninguém espera que um dos concertos de verão seja visto por meia dúzia de espectadores nem que a apresentação de um livro tenha uma assistência de milhares. Mas existem extremos que merecem reflexão.

Perante evidências tão flagrantes não deixa de fazer sentido a minha indignação pelo que adiante relatarei.

O poeta Nuno Guimarães, autor do livro "Rio que corre indiferente" (editado em 2009) cuja sessão de lançamento aconteceu no Porto, resolveu fazer uma sessão de apresentação do livro no Auditório do Campo Grande em Lisboa. Segundo o autor, a ideia de fazer esta apresentação surgiu pela pressão de umas dezenas largas de amigos do facebook que devido à distância não puderam estar presentes no Porto. Pelas suas próprias palavras, o entusiasmo era enorme e justificava esta deslocação do autor até à capital. Assim sendo, ficou o evento marcado para ontem, dia 10 de Julho, às 15.30. Chegada a hora de dar início ao evento, o autor não cabia em si de surpresa pela afluência. Para além do autor estiveram nesta sessão Álvaro Vaz e Giedre Sadeikaite, amigos do autor que o acompanharam na viagem desde o Porto, Paulo Afonso Ramos e a esposa Ana, em representação da editora e... eu. Dos cerca de cinquenta amigos do facebook que confirmaram presença nem sombras. O que explica esta situação? O mundial? Não havia jogo a essa hora. O calor convidava uma ida à praia? O Verão não é só uma tarde. Ah! Já sei! Como não existem eventos culturais no nosso pais e os que existem são mal divulgados, as pessoas que tanto insistiram nesta apresentação não sabiam da data, da hora e do local... deve ser isso.

Não se pense que este é um caso isolado porque algum tempo atrás sucedeu o mesmo com a autora Manuela Fonseca, que perante a insistência de dezenas de amigos do facebook foi ao Porto fazer a apresentação do seu romance e só estiveram nove pessoas. Como diz o povo: " Com amigos assim quem precisa de inimigos?"

Como nota final quero dizer que, mesmo poucos, nós os seis(6) fizemos desta sessão um evento descontraído mas memorável apesar do evidente e natural desânimo do autor. Falámos de cultura ou falta dela e recitámos poesia em português e lituano (Geidre é lituana) num ambiente quase familiar que durou cerca de duas horas.

E depois ainda dizem: Ah e tal... não há eventos culturais!

 

MANU DIXIT

  

 


07
Jul 10

Sendo certo que todos nós temos o nosso ciclo de vida; nascemos, vivemos (o melhor que podemos) e morremos, é sempre com pesar que lamentamos a partida daqueles(as) que marcaram a diferença. Também é ponto assente que só existe este "luto" colectivo quando a pessoa em questão ganha uma certa notoriedade ou exposição mais acentuada.

Tal como escrevi, há algum tempo atrás, aquando da morte de Saramago, também hoje, após o desaparecimento físico de MATILDE ROSA ARAÚJO, quero dizer que a obra da autora veio enriquecer o espólio cultural português e por consequência enriqueceu-nos a todos.

Sem pretender secundarizar o real motivo que me trouxe aqui e pegando no verbo enriquecer, quero deixar expressa a minha indignação pelo aproveitamento económico que se faz destas mortes. Acho muito triste que se espere por estas alturas para encher as prateleiras com as obras dos autores, se façam antologias e "estudos" biográficos quando, nós leitores, passámos grande parte do tempo em buscas infrutíferas dessas mesmas obras com os autores ainda em vida. Não creio que as livrarias actuem tão agressivamente como fizeram após a morte de Saramago, mas não tenho dúvidas que agora e nos tempos mais próximos vou conseguir encontrar quase toda a obra de MATILDE ROSA ARAÚJO. E também não tenho dúvidas que os editores e livreiros vão querer tirar proveito de uma procura maior e praticar preços excessivos sem que alguma entidade reguladora os possa travar nesta necrofagia.

Depois deste dasabafo, quero terminar este meu texto-homenagem agradecendo a MATILDE ROSA ARAÚJO pelo seu inegável e ímpar contributo para o meu enriquecimento cultural. Para todos os autores/criadores é importante a existência de referências e MATILDE ROSA ARAÚJO foi, é e será sempre, sem qualquer tipo de dúvida nem favor, uma referência cultural.

 

Manu dixit  

publicado por manu às 01:50

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